domingo, 12 de maio de 2013

At the very beginning he asked me
- are you sure you aren't sinking into this deep enough to get hurt?
I told him not to worry and indeed he shouldn't, 'cause my heart is mine to lend or even give whoever I want to and right now I choose to leave it in his warm hands with a big blue lace on top and a little note that says

'forget me not'.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

não pode doer

(...)

Eu o segurava perto, bem perto de mim para sentir seu corpo inteiro. Na minha cabeça tocava Ne Me Quitte Pas porque a vontade que eu sentia era mesmo essa, de que ele nunca me deixasse, nunca saísse de mim. Nessa hora fazia barulho lá fora: o tráfego dos automóveis, a prosa dos pedestres, "descobri que te amo demais..." em volume elevado saindo de um alto-falante, britadeira trabalhando na reforma de alguma calçada e uma ambulância ligeira encontrando seu caminho por entre os carros. A cidade era só caos lá fora e ainda assim essa desordem não conseguia invadir a atmosfera de paz que criamos naquele quarto. Lá dentro não cabia nada além de nós e o que deixamos fazer parte de nossos pensamentos durante aqueles dias; nossa vida pregressa e nossos sonhos futuros, ideais compartilhados e também os dissonantes, memórias. Ali, a infinidade de nossos seres coexistia pacificamente, acomodados de maneira harmoniosa entre armários, janelas e paredes.

terça-feira, 7 de maio de 2013

catarse o casi

Lo leía por entre las líneas de sus manos y las arrugas de su rostro. De tanto hacerlo, aprendí a este hombre como si fuera mi lengua materna. Y no fue necesario mucho tiempo hasta que los pensamientos míos empezaran a ser casi todos en ese idioma-él surrealista, dialecto-criatura sinestésico, lenguaje-ente sinfónico. De ahí para que mis acciones se hicieran suyas fue un saltito, no más, y ya ni siquiera sabía que era yo y que era él, y no podría decir que lo que existía allí era un nosotros porque, en realidad, yo no fui casi nada mientras lo tuve en mi vida.

(...)

quinta-feira, 2 de maio de 2013

planalto das estrelas nascentes.

Levantei da rede que vai de um lado a outro do quarto e caminhei até a sala, onde o celular sinalizava alguma atividade. Sorri durante esta pequena travessia pensando que a falta de paredes faz com que qualquer classificação em cômodos do espaço físico do Ninho seja realmente jocosa. E sorri um pouco mais quando vi que o que causara inquietação ao meu telefone fora uma mensagem de quem se dispôs a construir junto comigo este ambiente. Neste momento percebi que o sol se punha e já passava da hora de sair de dentro de mim.
Este desastroso senso de direção me fez tomar o ônibus errado, acontecimento que não me choca, mesmo tendo vivido duas décadas nesta cidade e supostamente conhecendo os itinerários dos coletivos que passam pelo centro. De qualquer forma, fui parar na Torre de TV, onde uma orquestra me lembrou de tempos outros nos quais era eu em um palco, esperando pela sinalização da próxima pausa e cuidando para não desafinar no solo de flautas. Sentei-me à beira da fonte que  testemunhou muitas discussões acerca de inquietações e amor com a musa de grande parte de meus escritos ao longo do último decênio. Pensei na quantidade de matéria-prima literária havia sido extraída de momentos compartilhados ali.
Depois de algum tempo, senti um chamado por parte de uma canção muito estimada. Aproximei-me do palco, para então deparar-me com a presença de uma antiga companheira de jornada. E logo que nos despedimos e rumei para destino outro, reparei que passava por uma estrada onde oito anos antes, numa tarde de clandestina peregrinação, assistimos ao fracasso de um pivete na tentativa de surrupiar os pertences de uma senhora que não hesitou em ridicularizá-lo: "Se toca, muleque, 'cê ACHA que com este tamainzin consegue levar minha bolsa?"
Ao cruzar a pista topei-me com o jardim que seis anos atrás fora pisoteado por duas garotas que recém haviam descoberto que a vida poderia ser exatamente como desejavam. Tal realização causou em ambas um desejo louco de correr noite adentro, mundo afora.
Um afluxo de nostalgia me tomou o corpo inteiro. São tantos os anos de perder-me por estas ruas que as histórias começam a se atravessar. Mais do que recordações claras das situações, guardo a lembrança das sensações. Olhei para cima e lá estavam todas as estrelas que passam a maior parte do ano ornando o firmamento sobre este cerrado seco. Neste instante começou a tocar In the Valley of Dying Stars e eu pensei em Brasília como um planalto onde nascem grandes, enormes massas de energia; seres humanos com luz própria, de magnitude inefável.
Por mando do destino e para sua sorte, pouco a pouco elas tomam seus caminhos. Descobriram-se meteoros e escolheram cair para lados outros. Enquanto a humanidade se preocupa com o aquecimento global, comecei a sentir sintomas de resfriamento da Terra, resultado do afastamento das fontes naturais de calor existente em seus abraços. No entanto, ao olhar para este céu sem nuvens, tive absoluta certeza de que continuarão a alumiar os passos que dou, errante caminhante que sou. E sempre que procurarem direitinho, me encontrarão em algum canto; algumas vezes com fulgor mais intenso, noutras, descansando desse viver tão desesperado.

sábado, 27 de abril de 2013

muse fortuite VI

O sol tomava o apartamento inteiro, seus raios invadindo por entre as frestas irregulares da persiana antiga. Ma muse ainda dormia profundamente, nem percebeu quando me desvencilhei de seus braços e passei para a cama ao lado. Li um par de zines, um par de capítulos de Rayuela, um par de poemas do Leminski. Olhei para o lado e seus olhos de ser-místico-que-até-hoje-não-consegui-nomear pousavam em mim; por cima de seu sorriso ininteligível, o bigode desgrenhado lhe dava um ar ainda mais alegórico. Pensei no que discutíramos acerca da obra de Lewis Carroll algumas horas antes e sorri de volta:
- De que buraco 'cê saiu, garoto, para que buraco 'tá me levando?
Ele serpenteou até o leito onde eu estava, com a malemolência intrínseca que me desarmou desde aquele dia no qual sentou-se ao meu lado em um ônibus que nos levou a uma cidade paradisíaca do nordeste; bastou não mais do que uma das cinquenta e seis horas que passamos ali para que eu me tornasse viciada em doses sazonais de sua magia. Ma muse carinhou-me da cabeça aos pés, eu de olhos fechados, ele usando todas as partes de seu corpo para me acariciar das formas mais inusitadas. Esbarramos nas coisas que ocupavam o colchão.
- Ah, escritora, sempre com tantos livros na cama...
- Sempre não, bonito... vez ou outra tenho musas. 

terça-feira, 23 de abril de 2013

o fim de uma era

Acho terrivelmente doloroso finalizar um escrito. Na verdade, me parece muito difícil saber a hora em que um ponto é, de fato, final. Por essa razão tenho tantos pedaços de alguma coisa jogados pelo quarto, cadernos cheios de possíveis não sei o que, rascunhos esquecidos do que era mesmo que eu estava falando? Assim mesmo, bem caótico, bem ininteligível. Uma bagunça como a que sou.
Durante os últimos meses o assunto principal foi este tal amor, em suas diferentes formas e configurações. Essa pesquisa, que já tem duração de quase dois anos, me pareceu fastidiosa de tempos em tempos. Sentia-me presa a um só estilo de escrita, a um só assunto. Julgava-me deveras incompleta como artista.
Foi algo dito por Marina Colassanti que me acalmou os nervos. Eu a acompanhava até o aeroporto depois de sua participação na Bienal Brasil do Livro e da Leitura. Conversamos longamente durante este dia sobre a construção do eu-escritor, sobre as possibilidades no universo da literatura. Até que, já em frente ao setor de embarque, ela me aconselhou: "Termine o que está fazendo antes de começar outra coisa. Escrever não é só inspiração, garota, é disciplina". Já sem culpa por gastar tantas linhas divagando sobre amor, segui explorando tal tópico; na literatura e na vida.
Só que ainda me agoniava como seria o fim de tal busca. Afinal, não é em uma novela que estou trabalhando no momento presente; é um apanhado de contos e um par de crônicas. Como saber que é suficiente? Pensei no que disse Paul Valéry, "os poetas não terminam os poemas, eles os abandonam", e na próxima vez que me enfadasse, passaria umas duas madrugadas editando tudo, terminaria o tal projeto e pronto! Abandono absoluto. Como fazem Gabriel García Marquez e Johnny Depp*. Simplesmente não passaria mais os olhos sobre meus trabalhos.
Até que me deparei com um final digno para essa jornada. Encontrei inspiração e disciplina para deixar este livro pronto para os editais que aparecerem pelo caminho. Espero finalizá-lo de fato em um, dois meses, se o ritmo for mantido. E será lindo ter este blog como registro das tentativas, das possibilidades, de tantas coisas que desbravei durante este tempo.
Este pode (ou não) ser um prólogo de um adeus.


*Só mesmo quem vos escreve consegue colocar em um mesmo parágrafo Valéry, García Marquez e Johnny Depp... tsc tsc...

segunda-feira, 22 de abril de 2013

amor de lua nova

fico feliz que em nossas recordações não haja nem lua nem estrelas pairando sobre nossas cabeças.
assim, elas ainda me pertencem:
refúgio meu para não mais pensar em ti.