segunda-feira, 6 de agosto de 2012

muse fortuite V

Sei que há maiores possibilidades de encontrá-lo a caminho do Nordeste, num ônibus caindo aos pedaços que quebraria cinco vezes durante o caminho. Ou ainda depois de um show do Gil  nos subúrbios da capital riograndense, todos absolutamente apaixonados por aquela fera septuagenária que ainda consegue bailar da primeira à última música nestes palcos da vida. Ainda assim, é incontrolável essa mania de buscá-lo pelas superquadras desta cidade. Aprendi dessa forma, de tanto procurar por suas pegadas nos meios-fios, que cair de amor na capital federal se faz perigoso pelo tanto de concreto que há em suas ruas.
Ah, e como não tentar vê-lo na multidão de um domingo como este? Sabendo que, como poucos, ele responde afirmativamente às duas perguntas essenciais na busca do homem perfeito - fala francês? gosta de jazz? - não é de se estranhar que estivesse com meu binóculo a postos, buscando entre conhecidos e desconhecidos que se maravilhavam com o som alucinante dos Dukes of Dixieland aqueles olhos de ser místico.
Nem o vi, pobre de mim. E sigo na vã busca da magia cigana de ma muse fortuite.

sábado, 4 de agosto de 2012

rendez vouz

Ele me causou um curto-circuito tão intenso que desde sua aparição não fui capaz de escrever um só continho, uma só crônica, uma só receita de bolo. Mal durmo. Depois de três parágrafos de um livro já sou sugada pelo repuxo do mar das memórias com ele.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

meu café frio e um sol de meio dia.


Na minha frente, uma página branca de Word e na minha cabeça o mundo inteiro. O mundo inteiro e nada se misturam e acabam por se converter em um mesmo que. E a página continua branca.
Voam ideias no ar ao meu redor, mas não consigo segurá-las. É imensuravelmente difícil ser coerente, linear, fazer sentido. Está fora do meu alcance escrever o que não sou. E o que mais não sou na vida é coerente. Linear. O que menos faço na vida é sentido.
(abril de 2012)

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Diana,

tô tomando chá de laranja e especiarias adoçado com mel, como se me tornasse a antiga eu novamente. Mesmo que apenas pelo espaço de tempo que se leva para tomar uma xícara de chá. Ontem à noite choveu em Brasília, imagina o céu caindo em julho neste cerrado tão seco. Nem vi acontecer. Só vi os resquícios que a precipitação deixou no asfalto. Minhas paixonites crescem exponencialmente, como se amor fosse consequência imediata de um olhar mais fundo nos olhos. E quando estou segura de que já não tenho mais coração pra abrigar tanto amor, eis que mais alguém faz espaço ali dentro. É minha sina amar demais. É minha sorte também.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

salvação

São curiosos os pensamentos que surgem em caminhadas solitárias. É como se as milhares de experiências pelas quais passamos formem uma costura e finalmente façam sentido em meio ao caos que é a vida. Por isso aprecio tanto os momentos que tomo para mim.
O universo me permitiu uma boas horas sozinha na noite de hoje e já no final dela, caminhando em direção ao ponto de ônibus, me lembrei de uma noite em um café brasiliense. Estava com três outras mulheres, todas elas em seus vinte e muitos anos, e falávamos de amor - tópico recorrente em muitas de minhas conversas. Não só de amor mas de buscas, de aspirações no âmbito afetivo.
É necessário dizer que estava atipicamente calada esta noite, desconfortável em compartilhar minhas experiências com a mesa. Estranhamente sentia a impressão de que qualquer coisa que dissesse pareceria tola, que meus escassos vinte anos não me davam bagagem suficiente para acompanhar aquele bate-papo. Ou talvez estivesse distraída demais pelo delicioso sabor do enorme café que pedira já no início da noite. Não saberia dizer bem a razão, mas algo me deixara na posição de observadora da interação alheia.
Entre muitos tópicos discutidos, um deles me deixou bastante pensativa durante muito tempo. Foi bem ele que me voltou à mente na noite de hoje, não mais como questão a ser respondida. Elas falavam do que costumavam buscar em suas relações afetivas há alguns anos e o que buscavam agora.
Bom, foi aos treze anos que comecei a pensar relacionamento. Foi bem ali que surgiu aquele primeiro amor arrebatador cujas características tornam-se parâmetro para vários outros amores até que você finalmente perceber que amor de adolescência é amor de adolescência, e passa. Olhando para trás, passando um por um até aquele mais antigo amado, foi possível perceber um padrão claro.
Muito mais do que o encanto causado pelos atributos físicos ou intelectuais do meu objeto de afeição, era o meu momento que definia o que aconteceria entre nós. E eu, como boa chica Almodóvar, estive constantemente Al Borde de un Ataque de Nervios, o que me levou a sempre procurar salvação no outro.
E perceber isso me fez apreciar muito, muito mais o fato de estar sem ninguém, caminhando sob uma lua inesperadamente grande. Prezei em demasia o fato de que é bem assim que consigo ter os mais poderosos insights da vida. Só assim que posso me salvar.
Hoje, e talvez só por hoje, sou o único amor do meu agora.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

tu não deve estar entendendo nada.

Deve achar capricho de minha parte desviar meu olhar do teu ou esquivar-me do aconchego dos teus abraços. Deve me tomar por infantil por não compartilhar contigo o que me inquieta a ponto de tornar inviável nossa estada em um mesmo recinto. Deve até mesmo pensar que me valho de joguinhos neuróticos burgueses com o intento de causar-te ciúmes.

Tudo errado.

Se não te quero olhar assim tão longamente é porque sinto-me completamente desnudada pela sua mirada e isso me embaraça. Se não lhe digo meus porquês é porque estes ainda não estão completamente claros nem para mim. Se compartilhei a noite inteira com outrem é porque o calor que ele emanava em minha direção era tão acolhedor quanto aquele da fogueira que nos iluminava a noite estrelada e porque seus beijos não vieram acompanhados da grande dose de drama que encontrei nos lábios teus.

Nem tudo tem a ver contigo.

Saiba.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

plural you

The cold autumn wind springs into my window and slides under my blanket, waking me up at 3 am. This is right when I miss you the most. It is also when I realize that a single bed is way too big for one person, and so are the mangoes and bags of strawberry they sell on the Sunday morning fair. These are some of the things I learned to share with you.