quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
de sentir e dessentir.
Essa cura tão imediata dele me faz questionar a existência do amor para sempre. (Não se preocupe, meu bem, que me passam outros pela cabeça quando penso em amor. Não se preocupe que nunca pensei em te ter comigo por tempo sequer próximo a para sempre. Não se preocupe comigo, com nada.) Só que este fim, que me pareceu difícil a princípio, está dissolvendo-se em passado numa velocidade que me é familiar.
Eu sinto e sinto muito, com muita intensidade. E quando acaba, eu morro de amor. E o morrer de amor dura tão pouco que...
Sei lá.
Tô me perguntando agora sobre sofrer quando as pessoas saem de nossas vidas.
Porque o dia hoje foi nublado e eu quase não saí do quarto e ainda assim, estou feliz como há muito não me sentia.
Porque já amei e desamei tanto e continuo aqui.
Eu sinto e sinto muito, com muita intensidade. E quando acaba, eu morro de amor. E o morrer de amor dura tão pouco que...
Sei lá.
Tô me perguntando agora sobre sofrer quando as pessoas saem de nossas vidas.
Porque o dia hoje foi nublado e eu quase não saí do quarto e ainda assim, estou feliz como há muito não me sentia.
Porque já amei e desamei tanto e continuo aqui.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
04:16 am
Os gritos ecoavam do terceiro andar por todo o prédio. Começou com grunhidos quase inaudíveis, abafados pelo cair da chuva na janela, que num crescendo quase musical culminaram num "e eu te amo pra caralho, porra".
Creio que nos despertamos na mesma hora, mas nenhuma das duas se atreveu a falar. Ainda assim, ainda que no breu e no silêncio, pude senti-la acordada. Conhecia bem sua respiração alterada de quem se punha nervosa com demonstração excessiva de hostilidade. Quando eram nossos os gritos, a respiração vinha acompanhada de soluços incessantes e toda uma tormenta de ressentimentos que retirávamos de abismos dentro de nós para ferir a outra.
Os gritos se fizeram mais altos, como se a porta tivesse sido aberta. Agora nos olhávamos nos olhos. Ainda sem proferir uma palavra que fosse, ainda deitadas nas extremidades da cama, ainda com milhares de quilômetros separando-nos naquela enorme cama de lençóis tão alvos. Via o brilho trêmulo de seus olhos, que não demorariam para desfazer-se em lágrimas e sujariam com sua maquiagem não retirada a fronha branca de seu travesseiro.
Lá fora, eles desciam as escadas. Juras de amor perdiam-se em meio a praguejamentos - ou vice-versa, não sei ao certo. Sei que haviam silêncios que não poderiam ser preenchidos por nada além de beijos dos mais intensos. Era assim que preenchíamos os nosso silêncios quando nos aproximávamos do fim. Era assim que lutávamos desesperadamente para apagar de vez o fogo que destruía sem dó as flores que nasceram em nossos tempos de primavera.
Percebi que as vozes estavam tão próximas que eles poderiam muito bem estar sentados no sofá de veludo vermelho, testemunha de nosso fazer e desfazer amor. Agora nossas mãos se buscavam entre os lençóis, como se procurando por um abrigo, algo onde pudéssemos segurar enquanto aquele furacão invadia nosso sono, nossa relação,nós.
Os gritos seguiram, descendo as escadas e lançando-se à rua, onde chovia ainda mais forte. Le Curiosism foi o que nos fez levantar e olhá-los desde a janela. Corriam de um lado a outro, trocavam farpas e beijos. E beijos. E beijos. Foi olhando-os daquela janela que ficou mais do que claro que era hora de colocarmo-nos em malas e encaixotar as lembranças em comum. Já não fazia mais sentido viver caminhando no campo minado que nossa casa se havia tornado, esperando pacientemente pela próxima vez que algo ativaria uma explosão de mágoas. De mãos dadas, na madrugada de uma terça de maio, nos separamos de forma indolor.
Já faz algum tempo desde este fim. Não sei por onde ela anda, não sei como ela está.
Ouvi dizer que os vizinhos do terceiro andar de vez em quando ainda dão seus espetáculos... mas somente em noites de chuva.
Creio que nos despertamos na mesma hora, mas nenhuma das duas se atreveu a falar. Ainda assim, ainda que no breu e no silêncio, pude senti-la acordada. Conhecia bem sua respiração alterada de quem se punha nervosa com demonstração excessiva de hostilidade. Quando eram nossos os gritos, a respiração vinha acompanhada de soluços incessantes e toda uma tormenta de ressentimentos que retirávamos de abismos dentro de nós para ferir a outra.
Os gritos se fizeram mais altos, como se a porta tivesse sido aberta. Agora nos olhávamos nos olhos. Ainda sem proferir uma palavra que fosse, ainda deitadas nas extremidades da cama, ainda com milhares de quilômetros separando-nos naquela enorme cama de lençóis tão alvos. Via o brilho trêmulo de seus olhos, que não demorariam para desfazer-se em lágrimas e sujariam com sua maquiagem não retirada a fronha branca de seu travesseiro.
Lá fora, eles desciam as escadas. Juras de amor perdiam-se em meio a praguejamentos - ou vice-versa, não sei ao certo. Sei que haviam silêncios que não poderiam ser preenchidos por nada além de beijos dos mais intensos. Era assim que preenchíamos os nosso silêncios quando nos aproximávamos do fim. Era assim que lutávamos desesperadamente para apagar de vez o fogo que destruía sem dó as flores que nasceram em nossos tempos de primavera.
Percebi que as vozes estavam tão próximas que eles poderiam muito bem estar sentados no sofá de veludo vermelho, testemunha de nosso fazer e desfazer amor. Agora nossas mãos se buscavam entre os lençóis, como se procurando por um abrigo, algo onde pudéssemos segurar enquanto aquele furacão invadia nosso sono, nossa relação,nós.
Os gritos seguiram, descendo as escadas e lançando-se à rua, onde chovia ainda mais forte. Le Curiosism foi o que nos fez levantar e olhá-los desde a janela. Corriam de um lado a outro, trocavam farpas e beijos. E beijos. E beijos. Foi olhando-os daquela janela que ficou mais do que claro que era hora de colocarmo-nos em malas e encaixotar as lembranças em comum. Já não fazia mais sentido viver caminhando no campo minado que nossa casa se havia tornado, esperando pacientemente pela próxima vez que algo ativaria uma explosão de mágoas. De mãos dadas, na madrugada de uma terça de maio, nos separamos de forma indolor.
Já faz algum tempo desde este fim. Não sei por onde ela anda, não sei como ela está.
Ouvi dizer que os vizinhos do terceiro andar de vez em quando ainda dão seus espetáculos... mas somente em noites de chuva.
sábado, 17 de dezembro de 2011
faz ainda mais sentido agora
"Certamente você tem medo demais, Doutor Campbell, pra realmente sentir as coisas lá bem dentro de você (...) E esse certamente é o único modo que eu posso entender, Doutor Campbell, aquilo que você pode querer dizer com o que que é que você tá sempre dizendo pra mim. Interesse por você? É claro que eu me interesso por você... muito menos do que você pensa e muito mais do que você pode imaginar"
Melanctha
Melanctha
sábado, 10 de dezembro de 2011
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
sete dias
Agora que não durmo mais contigo, ando dormindo com Caetano. Nosso romance começou bem naquela quarta-feira quando eu lhe disse adeus e você não me pediu que ficasse. Começou depois que você fez questão de causar toda uma tormenta em minha cabeça. Lembro que eu pegava minha bolsa e meu casaco nos ganchinhos da parede daquela sala na qual não saberei mais entrar, porque para sempre carregará o peso de ser o último lugar onde eu estava contigo e você estava comigo e éramos os dois um do outro. E foi lá que ele me ganhou, desacelerando meu coração com seu cantar.
A verdade é que não me recordo qual era a canção que tocava no momento... sei que era daquela fita cassete que dava pau toda hora e nos fazia interromper a conversa de tempo em tempo para clicar no auto-reverse; por isso tenho certeza que é uma das antigas. É possível que seja O Quereres... mas devo admitir que talvez pense nesta porque ela expressa a intensidade do querer que me causava estar contigo. De qualquer maneira, foi assim mesmo que aconteceu: tocava Caetano, eu lhe disse adeus e você não pediu que eu ficasse. Desde então, You Don't Know Me virou minha canção de ninar e meu último pensamento antes de cair nos braços de Morfeu é "laia ladaia sabadana Ave Maria" logo depois de pensar que é fato que não tomaste tempo para me conhecer, nem eu a ti. E assim durmo um sono agitado para acordar com uma puta vontade de "botar fogo neste apartamento"! Se eu te dissesse, tu não acreditarias... e se acreditasses, irias bem para longe de tanto medo - como, de fato, o fez. Aliás, acho que foi bem culpa deste teu não entender nada que te afastou de mim. Te faltou compreender que eu queria te levar comigo quando fosse ir-me embora, dar o fora...
Provavelmente nunca passará pela tua mente o que desencadeou a escritura deste desabafo. É bem capaz de que nunca chegues perto deste texto nesta vida. Porém creio importante, para que conste nos autos, como foi que me surgiram estes devaneios tropicalistas na cabeça. O que começou a tocar agora mesmo, durante minha tentativa de colocar ordem no universo começando pelo meu quarto, foi Zii e Zie. Me peguei segurando o telefone durante muito tempo, olhando para o nada, sem sequer notar que os raios de sol que passavam pelas frestas da cortina me queimavam o braço. E foi necessário ser bombardeada pelos verbos no pretérito perfeito de Perdeu para me dar conta de que foi neste mesmo pretérito que ficou o nós. Ficou antes de eu lhe dizer adeus e você não pedir pra eu ficar. Por isso nem te liguei. Por isso você nem me ligou. E "o sol se pôs, depois nasceu e nada aconteceu".
A verdade é que não me recordo qual era a canção que tocava no momento... sei que era daquela fita cassete que dava pau toda hora e nos fazia interromper a conversa de tempo em tempo para clicar no auto-reverse; por isso tenho certeza que é uma das antigas. É possível que seja O Quereres... mas devo admitir que talvez pense nesta porque ela expressa a intensidade do querer que me causava estar contigo. De qualquer maneira, foi assim mesmo que aconteceu: tocava Caetano, eu lhe disse adeus e você não pediu que eu ficasse. Desde então, You Don't Know Me virou minha canção de ninar e meu último pensamento antes de cair nos braços de Morfeu é "laia ladaia sabadana Ave Maria" logo depois de pensar que é fato que não tomaste tempo para me conhecer, nem eu a ti. E assim durmo um sono agitado para acordar com uma puta vontade de "botar fogo neste apartamento"! Se eu te dissesse, tu não acreditarias... e se acreditasses, irias bem para longe de tanto medo - como, de fato, o fez. Aliás, acho que foi bem culpa deste teu não entender nada que te afastou de mim. Te faltou compreender que eu queria te levar comigo quando fosse ir-me embora, dar o fora...
Provavelmente nunca passará pela tua mente o que desencadeou a escritura deste desabafo. É bem capaz de que nunca chegues perto deste texto nesta vida. Porém creio importante, para que conste nos autos, como foi que me surgiram estes devaneios tropicalistas na cabeça. O que começou a tocar agora mesmo, durante minha tentativa de colocar ordem no universo começando pelo meu quarto, foi Zii e Zie. Me peguei segurando o telefone durante muito tempo, olhando para o nada, sem sequer notar que os raios de sol que passavam pelas frestas da cortina me queimavam o braço. E foi necessário ser bombardeada pelos verbos no pretérito perfeito de Perdeu para me dar conta de que foi neste mesmo pretérito que ficou o nós. Ficou antes de eu lhe dizer adeus e você não pedir pra eu ficar. Por isso nem te liguei. Por isso você nem me ligou. E "o sol se pôs, depois nasceu e nada aconteceu".
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
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